Ecos da Terra

O solo maquinado às pencas
engole as mãos cascosas
em serras encaroçadas, planícies esgarçadas,
emurchecidas pela tirania cítrica
da ganância agrária, dos desastres climáticos.
São hectares de conflitos irrigados
por líquido avesso à própria substância
um furacão de gotas creditícias
a juros férteis
adubando o camponês com o campônio.
Planos cafeínos,
sem açúcar, sem um doce gesto rústico,
alimentando tratores de politiquice,
desnutrindo a humilde esperança
de reviver a terra seca como herdada.
Desde o pau-brasil, capitanias, sesmarias,
terras pombalinas, donatarias citadinas...
Diante de agressiva conjuntura,
resta levar fumo, plantar batatas
a cólica coivara – grito do órgão oco
que se entorpece com o enxofre
das sevícias exaustivas
no campo minado das batalhas.
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