sábado, novembro 18, 2006

Vômito ao Meio-dia na Avenida Guararapes

O vento que bate é um pulo
A sombra que nasce é veneno
O sol se levanta anêmico
O mar se agita pequeno
Maresia e dores e soluços e reticências
A rua que segue é vício de morfismo
A fé na vida não existe às seis da manhã
As carências não são pagas no caixa eletrônico
Os psicanalistas enchem o burro de mais neuroses
As ilusões não são como macaxeira e carne de sol
Fome e vontade e impulso e trilha aleijada
Roído o lote mesquinho que sequer me pertence
O choro que se pronuncia escapa
O riso latente se aloja no intestino grosso
A seriedade está em baixa na bolsa de valores
O humor também destrói
O espelho mostra uma caverna no meu rosto
O choro e o riso e o espelho e a caverna
As valas fétidas dizem meu nome
Em alto e bom som meu nome ganha esse cheiro
De todo o riso latente ali despejado
De toda a secura sólida-secular
De todo o arranjo plástico perversamente condescendente
De todo esse bolo fecal que ressoa dos tambores
De todo o frevo mirabolante e extremo
De todo baião rasteiro e embandeirado
De todo orgulho de ser o que não se sabe
De todo turismo de si mesmo
De toda voz insana e cega
As valas fétidas estupram meu nome.

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1 Comentários:

Às 3:22 PM , Anonymous Diogo disse...

Trash!!!

 

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